sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

antes do eu









(1)





 Andréa Mascarenhas



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(1) Foto: acervo particular da autora. Direitos reservados.


 

segunda-feira, 27 de março de 2017

madrugada





 (1)
 
]
portal disfarçado em tempo
rasga mortalha incandescente e que devora
absurdos coerentes

desigual
desvão que s'esvai
na atmosfera que nos conecta aqui

marco.zero
órbita particular
estado de estar em si

sendo
somos
mais que presença em si

sem teia.temporalis
ares pintados de azul.marinho
escondem nossos quintais

pinto a rua com esse canto subentendido
aberto
só pra te acordar por dentro

insólita lua que nos irmana
a poupar manhãs descarnadas de viço
em franca elegia.menina

disparo olhares.bala
pra inexplicar sombras vazias
e abandono antes.depois

planto vestígios azuis
pra te mostrar que fio
sonhos encantados nas sendas de teu sono, já sem frio

[

 
Andréa Mascarenhas
 
27.03.2014
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 (1) Foto: acervo particular da autora (Cachoeira - BA).

quinta-feira, 23 de março de 2017

[ feliz, noite ]




















  (1)






orquestra de violões . cheiro de música antiga, invade . farol em desapego de noites . ruínas de hoje . madrugadas em que deito teu sono, em claro . de tanto, pouco . de pedros, heranças . sem vestido ou glória, histórias . corais, só ecos de mar . sinos: independência dissonante . silêncio in.sepulcro . nunca te gerei no tempo.templo . nascimentos e escuros . serão ventos esgarçados de dor que tomam as frentes . jamais predomina em mando alheio . palavras.flor, cerimônias . lágrimas vermelhas em rios de dentro . justiça e direito secam antes de correrem . cascatas ondeiam teus temores . sem resgate, salvo liberdades e folhas . aleluias entre.mundos ganham almas quase de mãos dadas . canto novo se entoa sobre oceanos . suprimentos de esperança, qual chuva necessária se derramam, quem sabe, quando amor for moeda mais que junção de sen.tidos . santos, carurus e prata . fogos de artifício espocam, tristes . bambinos choram e ainda nascem nus, sem nome . mundo.mundis, vasta ilusão in.escrita . capítulos marginais não mais se perdem . enganam fossos de byte . livro, vida e cânone: invençSÃOões . já não sei se se salvam ternura e inocência . meus olhos alheios dizem: ainda morre na praia infância esquecida . desterros enganam . chaves, cadeados, fronteiras .



Andréa Mascarenhas



25 e 28.12.2016



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(1) Fonte da imagem: acervo particular da autora.












quarta-feira, 15 de março de 2017

[SOU ESCRITORA]








(1)




 
À primeira vista, são dois termos aparentemente simples e fáceis de escrever ou dizer. Não! Por trás desse par de palavras existe uma atitude difícil de inspirar, formar, nascer, erguer e se sustentar, fôlego que custa a passar pela garganta, enfrentar os lábios e o mundo fora deles. 

Salvo algumas louváveis iniciativas de iniciação e fomento à literatura, desse lado nordestino do mapa, ainda não há uma formação acadêmica, da graduação ao doutoramento, voltada para a escrita artístico/literária, como já existe pelo mundo e no país, a exemplo da PUC do Rio Grande do Sul.

Desde há muito, escrever, por aqui - na Bahia, especificamente, é ofício quase sempre paralelo à carreira jornalística e/ou docente. Fora dessas áreas, escritor@s autônom@s costuram seus caminhos de escrita com muitos fios, pontos e nós, quase sempre produzindo e custeando seus livros. 

Dizer e se sentir escritorA, sim, com esse A maiúsculo, em aberta simbologia à mulher e à criação feminina, custa-nos caro há séculos. Sabemos, ao modo próprio de cada experiência, o que tivemos/temos que aglutinar, abrir mão, esquecer ou unicamente sonhar ao lado do esparso exercício da escrita, não menos significativa por conta dos percalços enfrentados e dos tabus paulatinamente derrubados.

Acredito que esta seja a primeira vez que expresso publicamente a frase SOU ESCRITORA, pois as atitudes e os atos de aprendiz de feiticeira - das artes mágicas da palavra -, exercito desde setembro de 1995, quando estava na universidade, conhecendo por dentro o mundo das Letras. A escrita informal e não artística já praticava desde a adolescência, época dos diários, agendas e cartas. Hoje, mesclo a escrita literária entre o papel/manuscrito, as revistas e os espaços virtuais.

O verbo ser qualificado, que se presentifica na frase, qualifica também cada ser que assume a responsabilidade com a escrita artística. Sim! Trata-se de grande compromisso humano a labuta de modelar palavras arredias, diuturnamente, em e com ideias, pensamentos, imaginação, cores, contornos, pinceladas, fazê-las outras, do avesso, cheias quando vazias, secas quando úmidas, solares quando lunares, cortantes quando líricas, brandas quando quentes, multidimensionais quando rasas, velhas e novas, (re)carregadas de sentidos, simbologias, sons e silêncios... 

Eis aqui uma pequena demonstração do que o ofício e/ou a profissão de escritorA requer do (e produz no) ser que toma pra si uma prática tão humana. Em meio ao que escrevemos vamos nos modificando - leitorA, autorA, fuidorA. E, letra a letra, escrevemos um mundo outro, com os outros. 

Condição sine qua non para enfrentar a vida, a cada palavra (re)modelada, a partir dos idiomas que tentamos domar, vamos nos (re)modelando em seres humanos mais complexos, mais atentos e sensíveis: ao tudo, ao nada, ao imperceptível, ao invisível, ao disfarçado, ao camuflado, ao "óbvio", ao protocolar, ao informal, ao despretensioso, ao velado, ao escondido, ao subliminar, ao maquiavelicamente inventado etc., matérias que fazem morada, queiramos ou não, nas entrelinhas cada vez mais autônomas d@s noss@s escrit@s viv@s.

Através desse texto rendo tributo à Confraria Feminina de Poesia e Artes, associação da qual faço parte, idealizada pela querida Confreira Rita Queiroz, que abre espaço para diversas mulheres - artistAs/escritorAs.


| SÊ.já escritorA |


Andréa do N. Mascarenhas Silva




03/12/2016



Professora de Literatura (UNEB). Edita o Blog literário Arquivos.. impertinentes (Blogspot). Classificou-se em 13º lugar no 'XII Festival de poesia, crônica e conto' (Fund. Cultural de Imperatriz – Maranhão, 2001). Ministra oficinas de criação literária. Publica prosa e verso em veículos impressos e eletrônicos, nacionais e internacionais. Participa do Dicionário de escritores contemporâneos da Bahia (2015) e da versão eletrônica do Projeto Mapa da Palavra.BA 2016 (FUNCEB).
 
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(1) Imagem: https://www.facebook.com/549339315255685/photos/a.549347815254835.1073741828.549339315255685/559747770881506/?type=3&theater

sábado, 19 de novembro de 2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

[acordei poema]


































 (1)





sensação forte . tomada de corpo inteiro . possessão . registro tatuado por dentro . imagem de pássaro nas mãos . tempo passarinho . meu tempo em tuas mãos . sou ave em curvas suaves . faz-me por tuas geografias . sensibilidade.pele . nem sonho ou realidade: poema . troco liberdade.gaiola por dedos abertos . nobres carícias . afago de vento . cuidado de alma . pensamento em voo livre . tens mapa traçado em linhas fundas . percorremos sinestesias de sonho e não são só devaneios . cada palavra trocada se faz mais em nosso dicionário íntimo . sou asa partida ao longe e sempre ao alcance de teus sentidos acesos . teus olhos chispam em balsâmicos colírios . lavam-me em correnteza egoísta . sou tua quando minha . sempre perto em qualquer distância . sei percorrer tuas palavras.caminho . doces armadilhas delicadamente preparadas . quando me convém, uso fios de Ariadne .


 

Andréa do N. Mascarenhas Silva



15/11/2013



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 (1) Fonte da imagem: http://fotos.sapo.pt/zildacardoso/fotos/?uid=LkTnG9ZhDC356DzNluoj

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

[ céu ]





































(1)





desce, céu, e se derrama aos nossos pés . sangue ainda tinge revoluções . caduca nosso ouro barroco: não há fronteiras nem éticas . absurdos monocromáticos tomam ruas . estão à venda abismos inventados . ódios são comprados à prestação - made in ...


desce, céu, e se espalha em nós . hecatombes cintilam nas vitrines: que nos olham, que nos compram . mercados de povos e gentes agora são virtuais . rios vermelhos correm sob guerras . vil metal atende por nome e sobrenome: estrangeiro . 

desce, céu, e apenas se nos dê possível . trocamos palavras por preces . tudo agora se liquefaz . cada ferida abriga uma luta . ser se faz sinônimo de luxo .


desce, céu . porque não é todo dicionário . porque as cores vão s' embora . porque roubaram Van Gogh e a Noite não pode ser mais Estrelada, entre azuis e amarelos . 


desce . céu e cinza, [h]a.penas .




Andréa do N. Mascarenhas Silva



03/11/2016



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(1) FONTE da imagem (gif): Van Gogh, Noite Estrelada 
https://68.media.tumblr.com/3f02bf174db056943123d7248bd685d1/tumblr_nxfxvb923a1qkp2xyo1_500.gif



domingo, 30 de outubro de 2016

[ contemplações de baobá ]




(1)








 
rastros de silêncio . guardo chave pra abrir tempo . tempestade . ligo rádio e passado me diz que tudo é vento . deixo livro entreaberto na página que ouvirei quando deitar e se os olhos quiserem reescrever o que não sei . sereia e chuva se combinam nos mares que cortam esse sono que não vem, seco . revista nova não dá conta de alma nua, perdida em madrugadas . estalar de dedos . sussurros . maré alta dentro da noite que já foi fria . estatuto de aprendiz se quer incerto, feito algum eu que não existe . desacato se perde na rua direita . são paulo e rio . papel colado à parede lê versos pra mim e não é sonho ou devaneio . palavras escorrem, quase em mangues desprezados quando há palco sem hiatos . recuso o riso de academia e seus ferros pesados, corpo duro . viva a flacidez lírica, que sabe bordar como ninguém linhas azuis de vida acesa . ode ao corpo possível, talhado em músculos de pura ilusão . visto a paisagem barata e tão alta quanto um soneto shakespeariano . vestido esfumado na neblina furtacor se exibe indefinido . cheiro de relva lavada e teus orvalhos sorrateiros . relógio perde-se de mim e não há praças sem bancos por onde ir, sen.hora .



 30/10/2015



Andréa do N. Mascarenhas Silva



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(1) IMAGEM: Foto original de Thomas Baccaro - http://thomasbaccaro.com/Silence e http://payload32.cargocollective.com/1/6/212861/2958123/Silence_Baccaro001_1000.jpg




terça-feira, 11 de outubro de 2016

[ Mapa da Palavra FUNCEB 2016 ]



..Andréa Mascarenhas..









(1)



"Andréa Mascarenhas é pesquisadora, professora na Universidade do Estado da Bahia, doutora em Comunicação e Semiótica – PUC-SP, mestre em Literatura e Diversidade Cultural – UEFS/BA  e Especialista em Letras (UEFS/BA). Edita o Blog literário “..Arquivos.. impertinentes” . Participa do Dicionário de Escritores Contemporâneos da Bahia – com verbete biobibliográfico (2015). Publicou textos poéticos em Revistas Literárias nacionais e internacionais. Também tem poemas publicados no Jornal Fuxico e no Latitudes Latinas, site ligado ao Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos, da Universidade Federal da Bahia. Pela Pastelaria Studio (Portugal) participou de três antologias literárias . Pela Editora Pragmatha (Brasil) participou do Caderno Literário n. 66 e da Antologia Sou Poeta, Com Orgulho 2 (2015)."



 ..Escrita..

 

[..nunca se puede olvidar de la calle..]



teu cheiro de manhã me acorda por dentro . já são horas de embevecer . de crepúsculos insones apreendo lembranças tolas . estados de ser tão vagos como asas que supomos possíveis . não tenho tarde como ponteiro . ameaço teus segundos contados . meu tempo é casado com já velhas madrugadas . por la calle un tango se nos recuerda e valsamos (…) porque é noite sem calma e chama . à luz das horas abortadas um pedinte nos desarma e só tem o tesouro do olhar e nos fuzila . nossa cota de lirismos mal arrumados ainda alimenta vísceras arruinadas no alento de repartição . nossa pobre segurança nos transforma em plebe rasa . prefiro o chão rasgado de tuas certezas a meus pensamentos uma hora adiantados . quero-te, mesmo com lógica comprada pronta, ainda que apites à contramão teu cheiro de distância e teu senso de perfeição alheia . o risco é amanhecer .



..Histórico de escrita..

  • Verbete biobibliográfico (Círculo de Estudo, Pensamento e Ação), 2015;
  • Resenha sobre o livro A Coleguinha (Respel), 2001 ;
  • RevistA; Eu-lírica; em: Sou poeta, com orgulho (Pragmatha), 2015 – poesias;
  • Sons de impossível; Perfumaria; em: coletânea Som de Poetas, 2015 - poesias;
  • [atriz]; [de Orfeu];[an.águas]; [car.ess.ência]; em: Revista Mallarmargens, 2015 – poesias;
  • [..nunca se puede olvidar de la calle..]; [fruir de amanhã]; [rasgo de envelhecer]; em: Latitudes Latinas, 2015 – poesias;
  • [em ti, passar e trovar]; [não preciso]; em: Elipse - Revista literária galego-portuguesa, 2015 – poesias;
  • [MOÇO À JANELA]; [ESPECTROS CARNAIS]; em: Revista Desassossego, 2015 – poesias;
  • Água furtada; Casca; Inocência; [prezada desarmonia]; [ filosofia em amarelo ]; em: Revista Subversa, 2015 – poesias;
  • Chuva e eu; em: Caderno Literário Pragmatha, 2015;
  • [carta perdida pra ontens]; [parcas brisas]; [paZciência]; em: Revista dEsEnrEdoS, 2015 – poesias;
  • [amarelo cais]; em: Coletânea Ei-los que Partem, 2015;
  • [en.sina]; [rar’efeito]; em: Revista Literária Varal do Brasil, 2015 - poesias;
  • Procur ação; em: Revista Cultural Artpoesia I, 2012 – poesia;
  • Viagens imaginárias através da literatura de cordel: memórias do antigo mundo ibérico; em: Revista Outros Sertões, 2008;
  • Registros de imaginário: caminhos críticos e leituras (EDUSP), 2008;
  • Posfácio ao livro. Conceição do Coité, 2004;
  • Arquivos da Oralidade: matrizes, matizes e misturas culturais (Gráfica da Universidade Estadual de Feira de Santana), 2002 – Resumo;
  • Imaginação duplicada; em: Jornal Multicampi da UNEB, 1998 – conto.

 

..Blog..

arquivosimpertinentes.blogspot.com.br/

 

..E-mail..

marenhas@hotmail.com




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(1)

FONTE:
http://mapadapalavra.ba.gov.br/andrea-mascarenhas/

FOTO:
José Henrique Valença Silva Filho

sábado, 20 de agosto de 2016

[ ri.acho ]



































(1)








sobre azul escurecido de folhas chove um tempo . entre pingos me re.parto . espreito círculos concêntricos que me tocam em absoluto . mira: pássaros escondidos na beleza do instante . frio ausente conspira com ventos inexistentes . gotas se apegam em um pouco de lilás . nem dia nem noite assumem tal hora . talvez correnteza abstrata conduza teu riso . sobre a paisagem, luzes nascerão e nunca pra serem menos que eternas . insurgentes são meus gritos ainda mudos . no reflexo dessa água.movimento flagro teus silêncios propositais . notas se desprendem do azul liláceo que desafia meus olhos . névoa de quase noite se avizinha . sei que preciso ler o que vai no breu que ainda não diviso completamente . tintas despidas de cores molham desenho de galhos . outras chuvas se me instauram em dignidade de brilhos . sou riacho provisório sem cheias ou secas, apt@ a narcisos .




20.08.2016




Andréa Mascarenhas







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(1) IMAGEM: https://lh5.googleusercontent.com/-TYZSW13nYMA/UiH35AVkgiI/AAAAAAAACXY/MWjtnxBUWsY/w500/%C3%B6zel4.gif






terça-feira, 2 de agosto de 2016

[ ar.rivista ]












































(1)






pau
latina



des.vai.r
a
da



dis.ri.t
mi
a



a
ce
lera
da



re
vis
ta



ar
ri
vis
ta



des
mante
la.da



sem
pre
so
bre



sem
pre
al
ém



vil
ipe
ndia
da



n
ão
m
ais




hum
a
na



o
nde
as
o
ndas
que
bram



um
po
uco
de
tu
do



n
ão
impor
ta



ser
á
sem
pre




a
pelos



paulatina.desvairada.disritmia.acelerada.revista.arrivista.desmantelada.sempre.sobre.sempre.além.vilipendiada.não.mais.humana.onde.as.ondas.quebram.um.pouco.de.tudo.não.importa.será.sempre.apelos.





Andréa Mascarenhas


02.08.2016



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(1) FONTE da imagem: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/26/64/f7/2664f782c788db76996bb24b0fd74239.jpg

quarta-feira, 20 de julho de 2016

[só e o silêncio]








(1)







escuto a noite que também me ronda, com os olhos da janela . ah... espelho virtual . aqui não há chuva ou frio . perdida em meio a nós dois disfarço-me em sorrisos . tão longe já se faz perto, quase dentro . o sono chega e me empresta o macio do abandono no mais profundo travesseiro . antes que sinta saudade, invades meu pensamento.seu . não sei se durmo ou sonho e inverto mais uma impossibilidade nossa . e nos vemos sinestesicamente no possível .


20.07.2012


Andréa do Nascimento Mascarenhas Silva




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(1) FONTE da imagem: https://karoline9619.files.wordpress.com/2012/11/tumblr_m5mb5qepz71qgz0n4o1_500.jpg?w=487

domingo, 10 de julho de 2016

-- do tempo nascem flores em ramo --




(1)








dentro

antes do sonho
penumbra
dia

fora

cidade.montanha
possível ampulheta
desencontrada

do riso
ao piscado
paralelo dentro do olho

capítulo 16:
das páginas sopra um vento
esmo

do tempo
nascem flores
em ramo

encontro

chama:
arbítrio da luz
além da porta

do desenho
escadas se projetam
ao ângulo do olhar

portas
abertas.fechadas
ao onírico

.
ruído
.
cartas . trocadas . entre . escritores . não . são . cartas . trocadas . são . escritores . são . cartas . trocadas . cartas . são . escritores . entre . trocadas . cartas . não . são .
.

voo.avesso
invertido
arranha-céus

barco sobre nuvens e chuva
flutuações
raios na contramão

escada
aposta ao nada
subir ou descer

ponta.cabeça
mundos
sem céu ser

riscos d' incandescência
vida
artificial

de fim
ou de começo
desenhos em floração



(2)






Andréa Mascarenhas
(versos à vista de um vídeo)
09/07/2016


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(1)  Foto.captura do vídeo
(2) FONTE DO VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=QAD0BtEv6-Q
      ARTISTA: Lindsey Stirling


quinta-feira, 19 de maio de 2016

{ quando intelectuais andam de bicicleta }





roda do mundo
à perna curta
suma voz

inteiro teor, mesmo sonâmbulo, aciona pés.motor . autarquias de si . atropelo de teus.nossos pesadelos .


aval certeiro
levantes e justas
movimento em rota de eterno

longe se faz tempo perto . sem engano, loucos vão à frente . acionam mecanismos zumbis . esquecidos de esquecer, arte.são .



(2)



à lógica solta
prima do vento
sem tempo

noite se levanta em vão . um gira mundo sobre duas rodas não espera . adiantam pensamentos, quase sempre propulsivos, cata.ventos . 



(3)  


en.torno
tempo
imperfeito


não vestem saias ou calças meus neurônios . vestem risos engavetados em livros fechados . bibliotecas hibernam em nosso silêncio enjeitado .




 (4)



da brisa
à casa da manhã
lua retinta

pausa à lenta curva da esquina . alta noite sobre piso molhado em lágrimas deprimidas . dia aguarda teus ímpetos de ir e vir .






(5) 



deslocamento
 lento exercício
arbítrio

teus lemas varam futuros . ontens são hojes sem disfarce . pedalamos em uníssono .


 

(6)


de assalto
outro ritmo
momen(s)tâneo

não há vias sem mão dupla . cabe a cada um percorrê-las em novas horas . escapam-nos o chão que não criamos .









































espaçonave
aos pés
voo longitudinal

palavras correm pelos dias . nem sempre são azuis tuas certezas . o que não sei me ensina lance a lance .


16 e 19/05/2016



Andréa Mascarenhas



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IMAGEM 1 - https://i2.wp.com/www.sheilahanlon.com/wp-content/uploads/2012/11/Suffragette-Cyclists-sheilahanlon.com_.jpg
IMAGENS 2, 3, 4 e 5 - http://www.lpm-blog.com.br/?tag=conan-doyle
IMAGEM 6 - http://intelectuaisvaoapraia.tumblr.com/post/24683376175/henry-miller-e-sua-insepar%C3%A1vel-bicicleta-via
IMAGEM 7 - https://praladepasargada.wordpress.com/2015/04/13/uma-mulher-uma-bicicleta-duas-mulheres-duas-bicicletas/


terça-feira, 5 de abril de 2016

[ ludere ]




(1)

















teste teste teste teste
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con

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05/04/2016


Andréa Mascarenhas


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(1) IMAGEM: Aelita Andre - https://worleygig.files.wordpress.com/2012/06/string-city-masks.jpg



segunda-feira, 4 de abril de 2016

[ espera ]























(1)


Pra Suani Vasconcelos





janeiros atropelam . chuvas lavam catástrofes . literaturas invadem juízos . bebo brisas e réstias e o que preciso . espero sob o sol que se me esquece em meio a tarde . faltam lápis, papel e algum sorriso . visto imaginação e muito azul, enquanto descansa o poema . indecisas palavras me acompanham na mesma xícara . cedo meu lugar à paisagem . teu lugar jaz vazio . vejo-me de revés, antes do olhar . reações me surpreendem e nelas me reconheço em evolução . nojos mudam, ao tempo que se dissipam . nada pode ser antes que aconteça, graças ao futuro que espreita a arquitetura dos gestos que ainda vão abalar ventos . sei de mim no desenrolar das cenas que improviso, em múltiplas gradações de automático . conto instantes: os que se bastam e sobretudo os desimportantes . mar, meu quintal, recebe nossos passos assombrados e todo medo inventado . comecem, agora, lições cambiantes de ir e vir, ad æternum . ainda se faz invisível a chave que atende pelo nome de interseção .


15/01/2016


Andréa Mascarenhas


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(1) Fonte da imagem: https://38.media.tumblr.com/d13c5b0549516c7140fd751561fce272/tumblr_muqgdmXPuA1qftn52o1_500.gif

quarta-feira, 30 de março de 2016

{ Publicações na Revista SubVersa 2015 }



(1)











                                                                                      


                                                                    

                                                                                                        (2)




 

















 (3)














                                                  

                                                      
                                                      (4)



                                                                                                                                             

                                                                                                                                              (5)
























[ Filosofia em Amarelo ]**


borboleta amarela se acerca de mim em teus matos.flores . incerto vai meu corpo pelo mundo, em voo raso, quase ao chão . algodão desgarrado me abriga em pouca trama . perco a casca do que não sei, antes de presumir um fim . almejo filosofia de passarinhos, pouco assustados com mal tempo ou espinho . ainda não decifro lágrima espontânea porque me ensinaram a contê-la . pratico exercícios de oscilação, pra não perder sempre o equilíbrio rarefeito . lírica me abandona enquanto é tempo de insurgências por escrito . cresce uma cegueira exteriorizada, vendida por qualquer tostão . erva daninha nos alcança, sorrateira, sem disfarce . voltamos à borboleta amarela ou ao tempo oco da mera contemplação .

FONTE:
(http://canalsubversa.com/?p=2851)

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[prezada desarmonia]**

I

venho por meio deste
por meio
d’isto
pensar
um monet de rua
enfim um monet desavisado
desqualificado
com pincéis
de flores
com sprays
de animação
logo
tópicas
mal’amadas
de pouco
a mais
barrado
no sarau
do desespero

II

um monet
de quinta
essência
(des)guarida
apaixonado
por efêmeros
e
fuga.cidades

III

para os devidos fins
de esquerda
pelas cores.suportes
e pintura
de teto.céu
deixo estatuído
em epígrafes de chão pisado
que a beleza
pode ser
gratuita
fluida
fru.ida
e flutuante
em meio a sexta e sétima avenidas
inclusive
a que pede esmolas
em chapéu
puído
à beira da instabilidade
de um meio
fio



FONTE:
(http://canalsubversa.com/?p=2458)


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[ água furtada ]**

< Na rua das albufeiras
não há porto feliz >

teu desejo em linhas rasas
formam ondas em meu ser

pelas calles do coração
fremosas compulsões

tem rostos assombrados
epifanias de nós

em asas de passarinho
vão teus sorrisos e mais

das abas de meus sentidos
nascem nossos retratos e sós

mares, desesperança
outros dias, novos sais

navego lembranças d’agora
contigo digo adeus aos ais

tuas noites, madrugadas
nunca amanhecem como nós

não há mais portos decadentes
já nascem ruas em teus céu e sol

brilham ruínas nesse instante
reconstruídas todas por eco e voz

< Na rua das albufeiras
não há porto
só gente feliz >

FONTE:
(http://canalsubversa.com/?p=1762)


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[ casca ]**

vinho de hoje
não lava feridas velhas

nem fogos
ou água salgada

muito menos o sol que vence a madrugada

não recubro chagas
que ainda não sararam

daí
em vão compras esfoliantes
e areias brilhantes

novas cascas nascem
por baixo pululam velhas dores

miras espelhos alheios
e não te vês

por cá
viajo a outros centros
com cada eu que me constitui

passeio
em mares de dentro
que me navegam

piso seixos
nem sempre arredondados
tiram e me dão átimos de imensidão

impressão de pessimismo
ronda esse rastro d’escrita


maré de amanhã
molha já minh'alma
dessas páginas de ontem

azeito riscos
e teus ditos insanos
me trazem lumes rabiscados

torpes palavras que não me deixam
buscar pontos
ou finais 

FONTE:
(http://canalsubversa.com/?p=1650)


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[ inocência ]**


talvez o único valor a salvar desse mundo, talvez o último, o derradeiro poder . sempre vale a pena preservá-lo . sob o massacre dos astutos definham afagos que se vestem de nossas almas . sou longe como o tempo que me separa de mim mesma, menina . como a água de mar dengoso, aos nossos pés salgada . espio tua poesia: exala olor de lirismos amadurecidos . com teus olhos me casei e fui feliz . tenho direito a um passado que não vivemos, pois que (pre)sinto . teus músculos de ouro frágil, zangam toda. qualquer maresia . medo ou vilania de tua torpe donzela alimentam meu corcel de irreverência em disfarce de utopia . lavas pincel em teu sangue purificado a tão alto preço . esquece a facilidade adocicada de teus dias futuros . entregas a chave do tesouro a quem já deitou na cama e traiu a fama . mergulhas de volta em teu temp(L)o máximo . de minha madrugada vislumbro a tua: insones aprendizes de parcas dimensões a(poetizadas).

FONTE:
(http://canalsubversa.com/?p=1514)


Andréa Mascarenhas


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**ILUSTRAÇÕES by:

1) Marília Moser – SubVersa setembro 1, 2015 - Vol. 3 | n.º 3
2) Guilherme Wendt – SubVersa julho 1, 2015 - Vol. 2 | n.º 12
3) Juliê Caroline – SubVersa fevereiro 28, 2015 - Vol. 2 | n.º 4
4) Pedro Fonseca – SubVersa fevereiro 15, 2015 - Vol. 2 | n.º 3
5) Deb Dorneles – SubVersa fevereiro 1, 2015 - Vol. 2 | n.º 2